Maria de mentira

Peitos flácidos
Barriga d´água
Canelas de sebite
     É Maria
     Infeliz
com a vida
com a lida
com ela mesma

Seios tácitos
Saia com anágua
Narigão em riste
      Ah! Maria
      Não é você
beba soda
“bêba” da moda
              (e você)
sem foda

Comentários ácidos
Que te deixa mágoa
E o ditame persiste
             Maria
       Se martiriza
prótese no peito
uma lipo, no jeito
corpinho “perfeito”

        É, Maria
 deixaste de ser a Maria
pra ser mais uma maria
Com vários no leito
sem que nenhum te tenha no peito
    Bem feito !
              

                      (Fernando Flack)



 Escrito por Flack às 01h53
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Marcos Pasche é um grande poeta e amigo que faz parte desse efervescente momento poético na UFRJ. Além das poesias dele, postarei algumas outras dos vários poetas que movimentam a vida poética na atualidade no cenário carioca.

 Escrito por Flack às 01h50
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Ciclo

O homem nasce,

cresce,

se apaixona,

morre

e morre.

           (Marcos Pasche)

 



 Escrito por Flack às 01h45
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Incenso Fosse Música 

isso de querer 
ser exatamente aquilo 
que a gente é 
ainda vai 
nos levar além 

          (Paulo Leminski)



 Escrito por Flack às 11h56
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Manuel Bandeira por Cândido Portinari  



 Escrito por Flack às 11h48
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Trem de Ferro

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)

                  (Manuel Bandeira)



 Escrito por Flack às 11h45
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Elogio do Alexandrino

Asclepiádeo verso: à evolução do poema
Das sestas, cadenciar d'altas antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins, galo às estrelas d'alva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos, lauta mesa
Ond' tokay, champanh', flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso condor, chama, alárum, de carniça,
D'harpas d'Ésquilus, de Hugo, a dor, a tempestade:
Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade
Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.

                                           (Sousândrade)



 Escrito por Flack às 11h39
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              (AUGUSTO DOS ANJOS)



 Escrito por Flack às 19h19
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O Morcego

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

 

                                  Augusto dos Anjos
                                        in Eu (1912).



 Escrito por Flack às 19h15
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Mais Chacal

Vamp

a rua escura deserta
acelera o desejo
eu piso fundo no mundo
com o farol aceso

uma sirene: polícia
no retrovisor
não sei se é paranóia
ou se sou infrator

em cada curva fechada
espero pelo pior
estranho cheiro de sangue
ninguém ao redor

no carro, o rádio anuncia
mais um assassinato
vejo seu corpo na esquina
paro o carro e salto

como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

um dia seu nome é Ana
no outro dia Janette
o tempo todo na cama
afiando a gilete

só sai na rua se for
em busca de uma brisa
e quando o dia começa
você corre da polícia

a vida inteira agitou
e hoje vive no vício
um vai e vem, entra e sai
na porta do edifício

seu veneno é cruel
seu olhar, assassina
me queimo no seu calor
seu coração de heroína

como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

você só quer aplicar
você não quer nem saber
você só sabe iludir
você espalha o terror

 

                          (Chacal)

          in Comício de Tudo: Poesia e Prosa  (Ed. Brasiliense - 1986)



 Escrito por Flack às 19h06
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Relógio

com deus mi deito com deus mi levanto
comigo eu calo comigo eu canto
eu bato um papo eu bato um ponto
eu tomo um drink eu fico tonto.

 

                                    (Chacal)


              in Olhos vermelhos (1979)



 Escrito por Flack às 19h03
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 Escrito por Flack às 18h33
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Trecho de " O Livro e a América"

...Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe -- que faz a palma,
É chuva -- que faz o mar.

Vós , que o templo das idéias
Largo -- abris às multidões,
P'ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazeei desse 'Rei dos ventos'
-- Ginete dos pensamentos,
-- Arauto da grande luz!...

                     (Castro Alves)

        



 Escrito por Flack às 18h24
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Movimento Perpétuo é um grande livro do poeta carioca Marcio André.

Abaixo podemos conferir um trecho do livro. 

Mais sobre a obra de Marcio André em www.marcioandre.com

 



 Escrito por Flack às 00h32
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detalhe de "Marcio André" por Ricardo Araújo

 

MOVIMENTO PERPÉTUO: OITO PECADOS

no meio do jardim a raposa olha a videira
ela comeria no cacho a carne das uvas rochas

 

                                          (Marcio André)

foto e poema extraídos do site marcioandre.com

 

 



 Escrito por Flack às 00h28
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