Volátil voava

pela fresta no escorrer

da tampa da panela

 

                 Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h38
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Poesia à conta-gotas

 

Um mais um

igual a 

um

 

            Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h37
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O Vôo

 

De tanto ver ficção

Pegou-se em pleno vôo

Livre do chão e da gravidade

Perto de Ícaro, com vento na cara

Inevitável queda

No chamado da mãe

 

                                 Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h35
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Promiscuidade

 

Este peito amargurado

incomodamente palpitante

só quer saber de ti

 

 

 

Esta noite

 

                 Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h32
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Estigma Midiático

 

Ao tornar-te corrupto

perpetue-se

Cria fama

deita-te na cama

 

                 Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h30
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Beatos

 

Não ter tal consciência 

funesta

como se tem enquanto vermes

é sorte

Economiza-te de frustrar-se

frente ao tempo

perdido

 

                       Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h28
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Web

 

Ao som surdo da brisa,

em ruínas, abandonada

está lá

como um pêndulo emplumado

Do teto ao nada

reencontrandos-nos com o ar em movimento

há tempos sem a proprietária

- despejada pela piaçava

incompetente -  

segue a rotina solitária

de hipnose enquanto devaneios

aos que - de volta à lucidez - 

planejam demoli-la

em nome da higiene 

de visitantes olhares

resignando-se em seguida

ao conforto preguiçoso

deixando-a eternamente

sob a ameaça cotidiana

 

                    Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h26
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Bramindo do mar da Pérsia

flamindo como Héstia

sai e cai descombustando

 

                          Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h21
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Pulsa latente

a relva

perante o incidente

geográfico.

Rente o grama

pesa úmido a erótica

erosão de ótica

e goza o spleen

matéria prima para 

lamaçal.

 

                  Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h13
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 VEJO

 VÊNUS

 VENCER

        CERES

            RENTE A 

            RELES

        SEREIA

        SERPENTE

VENUSTA

VENENOSA

 

               Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h05
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Causa Amor

(para Charles Baudelaire e José Carlos Prioste)

 

Sonho de um óbito de causa nobre

Que programados mortais não entendem

Talhado socialmente como alma podre

Não libertos dos arcaísmo que os prendem

 

Este sentimento é raro e bruto

E nem tu, ó amada, compreendeu

Tão profundo que jamais seria mútuo

Amor além do materno ou por Deus

 

Ter-te por completo é meu desejo

Ter teu corpo, vísceras, medo

Teu sabor enferrujado e azedo

Que entorpece a ver-te em rastejo

 

Sinto-te correr em meu sangue

Teu sabor que desmancha na boca

Melódicos urros da voz já rouca

A pele fria que em meus dentes range

 

Amar é extase em tal perspectiva

Bel-prazer que ninguém me priva

E enfim vejo seu interior sublime

Me poupar de tal graça é que seria crime

 

Não me compreendes mas te perdôo

Ato de prova do amor que te dou

Para ter-te por completo comigo

E não putrefata em um jazigo

 

                             Fernando Flack



Escrito por Flack às 16h00
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Toco

 

Ao que as carnes

iam em colisão

tergiversou

 

                Fernando Flack



Escrito por Flack às 15h36
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Poesia Erótica

 

I

A visão delta

exprime perdição.

Inadequado momento

de captação sensitiva

frente ao brusco

plumado movimento.

A fresta se destaca 

sob fenestros vigias

censurados por cultura,

porém, subversivos.

A palma busca o

tato.

 

II

Ser piano é sutileza.

Ser cuica, aquecimento

(warm up).

Condensa sinfônico

o fato consumido.

 

III

Da curvatura ao

dorso, em vias

de trilha conclusa,

a fresta é o limite.

E o layout das

serras (em mira

o culminante pico)

é o estepe seguinte.

 

                      Fernando Flack 



Escrito por Flack às 15h34
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Aventura com a gata atarracada

(ou Ela, quase Ana C.)

 

Movido impulsivamente

por desejo em hipnose

soltei aparentemente fascinado; 

- Te pego sem tua amiga,

com o coracão latejando na veia,

com chuva, sol ou canto da sereia,

farejando e seguindo seus sais

antes do ônibus passar.

 

Ao que teria disfarçado

à reboque pelo braço

soltou que queria ficar: - Boto

o tal na fita dela e me 

livro por mais meia-hora.

Pura preguiça ? Não queria mover-se

um passo. 

Ao que eu, quase rendido, soltei

seu braço

escorregando até a mão com a água

pelos dedos

fui pego por um aperto.

No ponto, afinal, veio a hora

e ficamos ali

olhos fugindo de olhos

boca fugindo de boca

e um selo selando a paz.

 

                          Fernando Flack



Escrito por Flack às 15h21
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Súplica

 

Sua lúdica búlica púbica

nua túnica

 

Única

 

                  Rubrica

                  Sua súdita

 

 

                                Fernando Flack



Escrito por Flack às 15h06
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