
Dalí por Man Ray em 1933
Escrito por Flack às 22h33
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"Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação. "
Manifesto Surrealista
Contribuição de Jão Vitor (macunaimaalemao@bol.com.br)
Escrito por Flack às 22h26
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I love my love with a v Because it is like that I love my love with a b Because I am beside that A king. I love my love with an a Because she is a queen I love my love and a a is the best of them Think well and be a king, Think more and think again I love my love with a dress and a hat I love my love and not with this or with that I love my love with a y because she is my bride I love her with a d because she is my love beside Thank you for being there Nobody has to care Thank you for being here Because you are not there
(Gertrude Stein)
Escrito por Flack às 16h50
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Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados
(Oswald de Andrade)
Escrito por Flack às 16h44
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HORA ILUMINADA mastigando uma pera de bobera às três em ponto.
(Charles)
Escrito por Flack às 16h34
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Folhear o caos em branco
Desperta tinta que cai do peito
Sobre o ofício a caneta forma
Todo fluxo do sem sentido
Dos corações inconcluídos
Arredondados num retângulo apertado
Repetitivos
Debruçados
Sem paginação
Perdidos
No apoio da pasta
Manchando um palmo de vestido
Vou com a alma em carbono
Pairando nas esquinas
Deixando trapos e traços, dispersos
Em trégua, desaparecendo
A cópia, rígida, sentada
Não sente nem mais o vento
Dos pedestres apressados
(Mariana Waldeck)
Publicado na Revista Desconcerto - nº 1 - em novembro de 2003
Escrito por Flack às 03h54
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Escrito por Flack às 03h44
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Mestre Drummond
Queda
A tarde cai. Nós caimos na tarde
numa antecipação de morte sem dor.
Em um desvão do corpo bruxuleia a chama
que o dia claro alimentava, ardência.
Cai a tarde... Como foi ? tarde
é um cair na faixa sigilosa
do ser imóvel em que nos transformamos
a essa hora de exploração do dia,
fria.
Não importa o sol regresse com o prestígio
de reinventar a vida albente.
A tarde, a triste tarde caiu. Caímos
imorredouramente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Escrito por Flack às 03h40
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LE MARCHAND D´AIL ET D´OIGNONS
L´ennui d´aller en visite
Avec l´ail nous l´éloignons.
L´élegie au pleur hésite
Peu si je fends des oignons.
(Mallarmé)
O VENDEDOR DE ALHO E CEBOLA
A insipidez da visita
Com alho posso depô-la.
A elegia ao choro hesita
Pouco se eu corto a cebola.
( Trad. Augusto de Campos)
Escrito por Flack às 03h34
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Hilda Hilst (1930 - 2004)
Escrito por Flack às 04h17
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Saudades de Hilda
Alcoólicas
I
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
(Hilda Hilst)
Escrito por Flack às 04h08
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Leminski
Escrito por Flack às 19h42
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Haicai
confira tudo que respira conspira
(Paulo Leminski)
Escrito por Flack às 19h41
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Leminski
alguém parado é sempre suspeito de trazer como eu trago um susto preso no peito, um prazo, um prazer, um estrago, um de qualquer jeito, sujeito a ser tragado pelo primeiro que passar
parar dá azar
(Paulo Leminski)
Para Maria Clara Carneiro
Escrito por Flack às 19h09
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Para os admiradores de Chico Alvim
Elefante
O ar de tua carne, ar escuro
anoitece pedra e vento.
Corre o enorme dentro de teu corpo
o ar externo
de céus atropelados. O firmamento,
incêndio de pilastras,
não está fora - rui por dentro.
Reverbera no escudo o brilho baço
do túrgido aríete
com que distância e tempo enfureces.
Teu pisar macio, dañçarino,
enobrece os ventos frios,
femininos.
A tua volta tudo canta.
Tudo desconhece.
(Francisco Alvim)
Escrito por Flack às 18h52
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UM POUCO DE ALBERTO PUCHEU
" A experiência poética constrói caminhos pelos quais podemos nos movimentar;
concernindo-nos mais que todos os outros, delineiam um viver."
(Alberto Pucheu in Escritos da Indiscernibilidade)
Azougue Editorial, 2003
Escrito por Flack às 05h15
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Ana Cristina Cesar
Escrito por Flack às 02h58
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AVENTURA NA CASA ATARRACADA
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.
(Ana Cristina Cesar)
# Essa poesia vai em homenagem à duas grandes amigas.
São elas: Carolina Casarin e Mariana Waldeck (grandes amigas e grandes poetas).
Escrito por Flack às 02h53
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RELES MORTAIS
O mundo encarna o ceticismo
cético de si
de toda a política que o domina
da religião que o abomina
com medo da morte
que tanto espera
para do mundo livrar-se
(Fernando Flack)
Escrito por Flack às 02h47
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Aqui há espaço para a Poesia
Este blog é dedicado à poesia, literatura, em suma, à arte.
Aqui existe espaço para todos que amam a arte e pretendem interferir no caos cotidiano de alguma forma.
Sinta-se à vontade e interfira também.
Escrito por Flack às 02h45
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