Trem de Ferro
Café com pão Café com pão Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim Café com pão Agora sim Voa, fumaça Corre, cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força Muita força (trem de ferro, trem de ferro)
Oô... Foge, bicho Foge, povo Passa ponte Passa poste Passa pasto Passa boi Passa boiada Passa galho Da ingazeira Debruçada No riacho Que vontade De cantar! Oô... (café com pão é muito bom)
Quando me prendero No canaviá Cada pé de cana Era um oficiá Oô... Menina bonita Do vestido verde Me dá tua boca Pra matar minha sede Oô... Vou mimbora vou mimbora Não gosto daqui Nasci no sertão Sou de Ouricuri Oô...
Vou depressa Vou correndo Vou na toda Que só levo Pouca gente Pouca gente Pouca gente... (trem de ferro, trem de ferro)
(Manuel Bandeira)
Escrito por Flack às 10h45
[]
[envie esta mensagem]
|
Elogio do Alexandrino
Asclepiádeo verso: à evolução do poema Das sestas, cadenciar d'altas antigüidades, já porque bipartido em fúlgidas metades Reata em conjunção opostos de um dilema, E já por ser de gala a forma do matiz Heleno na escultura e lácio na linguagem Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris: Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem; Que desperta aos tocsins, galo às estrelas d'alva, Que faz revoluções de Filadélfia às salvas E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza, o verso-formosura, adornos, lauta mesa Ond' tokay, champanh', flor, copos cristal-diamantes Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding. Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante: Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante, o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim, Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste; E para os que têm fome e sede de justiça, O verso condor, chama, alárum, de carniça, D'harpas d'Ésquilus, de Hugo, a dor, a tempestade: Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major, Restruge alto acordando os cândidos espíritos Às glórias do oceano e percutindo os gritos Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador Ouve-se afinação no mundo brasileiro, Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro, Flamívomo social, encantador. Fulgura Luz de dia primeiro, a nota formosura, Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
(Sousândrade)
Escrito por Flack às 10h39
[]
[envie esta mensagem]
|